quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dicas para melhores fotografias (ou renderizações) de interiores - Parte 2

Continuando agora com as dicas do post anterior (clique aqui se você ainda não o viu), agora vou tentar abordar um pouquinho mais os aspectos técnicos do processo. Muito do conteúdo que vocês vão ver aqui foi retirado de um excelente artigo redigido pelo Lasse Rode, do Studio XOIO, em Berlin. Esse cara trabalha basicamente com ilustração arquitetônica e tem trabalhos lindíssimos no seu site. Sempre bom dar uma olhadinha pra se inspirar.

Como disse na primeira parte, essas dicas são intercambiáveis para a fotografia e para a renderização fotorrealista, em sua maioria. Antes falei um pouco dos ângulos e da importância da luz natural, agora vou falar um pouquinho mais sobre composição, foco e contraste.


Pense com cuidado na composição de suas cenas!

Composição, ao meu ver, é a grande chave que vai diferenciar um bom trabalho de um trabalho mais ou menos. Infelizmente, nós como arquitetos temos mania de querer mostrar o máximo possível do ambiente em uma cena só... Ás vezes o motivo não é nada nobre: os clientes querem as imagens pra ontem, ou então (principalmente no caso de se renderizar projetos de terceiros, para colegas arquitetos apresentarem para seus clientes) busca-se reduzir ao mínimo a quantidade de imagens renderizadas para economizar no pagamento do pobre do ilustrador. Fica muito complicado, com esses limitadores, buscar seguir à risca as técnicas de composição...

Apesar disso, devemos sempre buscar ter em mente a questão da composição na hora de renderizar/fotografar, por mais que isso seja difícil. A organização dos elementos das imagens deve ser clara para facilitar a compreensão do observador em relação àquele ambiente.


Lembram-se quando falei dos ângulos? Na imagem acima temos exemplificadas algumas das opções mais básicas de ângulos de visão de um observador... Esses ângulos em específico favorecem uma boa composição de cena porque diminuem a quantidade de linhas de perspectiva, acelerando o processo de compreensão da imagem. Não deixe de capturar todos os ângulos (como falei aqui), mas na dúvida (ou na falta de tempo), comece por estes acima.

Ângulos básicos aplicados

A regra de ouro da composição de imagens é a chamada regra dos terços ("rule of thirds", não estou bem certo quanto ao "nome oficial" em português, mas é algo do tipo, hehe). Divida a sua imagem verticalmente e horizontalmente em três partes. Qualquer coisa em sua imagem que esteja sobre as linhas, ou no encontro delas, receberá mais enfoque e será percebida mais claramente pelo observador (veja os exemplos acima). 

Aplicação da regras dos terços

Cenas cujos elementos focais principais encontram-se nessas áreas são mais harmoniosas... faça o teste: vá a uma praça e escolha uma árvore. Fotografe essa árvore de forma centralizada, depois tente fazê-lo deslocando a câmera para um dos lados, alinhando o tronco dela com uma das linhas verticais (a maioria das câmeras digitais hoje em dia oferece a opção de mostrar no visor as linhas de grid da regra dos terços). Note como a segunda imagem de alguma forma apresenta um resultado melhor... essa é a magia da composição agindo sobre a sua foto.


Foque nos planos (ou não!)

Também faz parte das regras de composição atentar para a disposição dos elementos diversos presentes nas fotos e renders em seus respectivos planos. Como assim? Geralmente em uma imagem existe o plano dos elementos mais próximos do observador (1º plano), o plano intermediário (2º plano) e o plano mais distante (3º plano). Às vezes, podemos ter mais ou menos planos de elementos, dependendo das características da cena... poucos planos podem tornar a imagem chapada, afinal são eles que conferem profundidade à imagem. Só que planos demais podem poluir a cena, dificultando a compreensão por parte do observador e passando a impressão de desorganização.

Uma coisa que ajuda na questão da organização dos planos e que fica linda em uma fotografia/render é trabalhar o "depth of field" (ou DOF pra encurtar) para desfocar alguns planos, valorizando os elementos principais da cena.

Acima, temos um exemplo dessa ideia aplicada de forma didática...em cada uma das situações, temos três planos de composição na imagem. Na primeira, note como o primeiro plano se sobressai ao desfocar o segundo e o terceiro. Na segunda, o segundo plano é que está sobressaído. No terceiro caso, o plano de fundo fica mais evidente. No quarto caso temos todos os planos em foco...repare como aqui não temos tanto a noção de profundidade, e como os três planos "brigam" entre si pela atenção do observador.

Se você não sabe direito o que é "depth of field", clique aqui e assista a esse excelente vídeo do Flávio Lamenza, que fala de forma bem didática o que é e como atingir esse resultado com a câmera fotográfica (não são todas as câmeras que conseguem esse resultado, isso envolve poder mexer no diafragma, e por consequência no obturador... assistam ao vídeo que vocês entenderão melhor do que se eu tentar explicar, hehe). No caso de renderizações, alguns softwares já oferecem embutidos em suas configurações a opção de mexer no DOF... ou você pode simplesmente trabalhar isso em um editor de imagens como o photoshop.

Primeiro plano desfocado
Apenas tome cuidado para não exagerar...saber usar o DOF por si só é quase uma arte. Se você abusar ou economizar no desfoque dos planos você pode obter resultados não muito bons. Só com o treino mesmo poderemos adquirir esse senso de equilíbrio necessário para um bom resultado... mãos à obra!

Tenha uma boa gama de cinzas em sua imagem.

Essa dica se relaciona com a dica da luz do primeiro post. Uma boa cena é aquela que apresenta um bom contraste e uma gradação completa de cinzas (ou cores), do branco ao preto.

Exemplo de cena com boa gradação de cinzas
Vou me explicar: é que na verdade as imagens como as percebemos são oriundas da reflexão da luz sobre a superfície dos objetos. Diferentes fontes de luz refletindo em diferentes superfícies geram uma gradação aos nossos olhos que muitas vezes passa despercebida. Olha para a parede da imagem acima. Nosso cérebro nos diz que é uma parede branca, certo? Mas se olharmos atentamente para a imagem, veremos que a única parte realmente branca da imagem inteira está na luz entrando da janela... a parede em si é uma compilação de cinzas. Vêem?

Gradação de cinzas da imagem
Da mesma forma funciona com as cores: uma parede, digamos, vermelha apresenta dezenas de tons diferentes de vermelho, alguns mais clarinhos, se aproximando do branco, e outros mais escuros, se aproximando do preto...

Ter uma boa gama de cinzas significa encontrar um equilíbrio apropriado para que sua cena não esteja iluminada demais (muitos elementos brancos, sombras chapadas quase pretas) ou de menos (muitos cinzas, quase nenhum preto ou branco). Essa gradação enriquece a imagem, e a torna mais interessante, chama muito mais à atenção.



Na hora de fotografar podemos regular um pouco isso através do fotômetro da própria câmera fotográfica (de novo vou linkar um vídeo do Flávio... aqui ele explica direitinho essa ferramenta). No render controlamos isso na colocação das fontes de luz ou também com editores de imagens. Mexer no contraste e nos níveis de uma imagem também requer bom senso! Tome muito cuidado para não exagerar.

***
Com isso vou parando por enquanto a parte 2. Ainda falta um pouquinho pra dizer, basicamente sobre a preparação do ambiente antes da foto/render, principalmente em relação à adornos, enfeites, etc... Esse assunto tem muito a ver com a composição, mas vou deixar para um outro post. Espero ter contribuído alguma coisa com o pouco que aprendi... Até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário