quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dicas para melhores fotografias (ou renderizações) de interiores - Parte 1




Os avanços da tecnologia são uma coisa engraçada... Antigamente (porém não tanto tempo assim), quando a gente ainda usava filmes de rolo para fotografar, tínhamos que lidar com o fato de que a quantidade de fotos à nossa disposição era, no mínimo, limitada. Tínhamos de ponderar pelo menos um pouquinho sobre luz, ângulo, flash, etc, antes de cada clique, afinal estragar um frame significava não só perder a oportunidade de captar uma boa cena, como também perder dinheiro. Quem aí se lembra dos momentos de expectativa ao abrir o envelope com as fotos reveladas, esperando que nenhuma delas tivesse "queimado" ou que ninguém tivesse "saído cortado"?


Pois é... mas hoje em dia temos as câmeras digitais! Inimaginável nos anos 90, é dispensável listar as inúmeras vantagens que essa nova tecnologia nos trouxe. Com a extensão da tecnologia para smartphones e tablets, na era Instagram, todo mundo acabou se tornando um pouco fotógrafo... (ou pelo menos acha que se tornou, mas aí já é outra história).


Dito isso, já pararam pra pensar que mesmo vivendo nessa era de popularização da fotografia, ainda existe a figura do fotógrafo profissional? Antes ainda vá lá, em ocasiões especiais (casamento, formatura, o que seja...) a gente chamava o fotógrafo pra captar aqueles momentos da melhor maneira possível. Aí a gente se sentia mais seguro de que teríamos fotos legais, nada de filmes queimados ou fora de foco. Mas e hoje em dia, quando todo mundo tem uma câmera digital que tira um zilhão de fotos, que calcula automaticamente foco, white balance, flash e o escambau? Isso significa que não precisamos mais de fotógrafos profissionais, não é? Joga a câmera na mão daquela sua tia que adora postar paisagens no facebook que tá tudo certo?

"Como é que tira o 'fláche' mesmo, heim?"


Errado, muito errado. E a razão é simples: contratamos fotógrafos profissionais quando queremos boas fotos. "Fotos profissionais".

Fotografia é acessível, mas a boa fotografia não é pra todo mundo. Requer estudo, ferramentas apropriadas e, principalmente, muita prática. O arquiteto ou estudante de arquitetura que nunca ficou frustrado ao olhar as fotos escuras que ele tirou dentro daquela igreja barroca lindíssima (não pode usar flash pra não estragar o delicado revestimento em folha de ouro do altar!), que atire a primeira pedra. Ou então atire aquele que nunca passou pela vergonha de verificar no computador que aquela foto que parecia perfeita no visor da câmera na verdade estava bastante chapada, que a fachada principal do prédio ficou na sombra, perdeu os detalhes...enfim, posso fazer uma lista enorme aqui só com exemplos da minha época de faculdade.

Ao vivo é mais bonito, acreditem em mim.


Dito isso, ressalto aqui que fotografia não é brincadeira. Também trago a idéia de que para o arquiteto ou estudante de arquitetura, é muito interessante ter uma noção mesmo que básica sobre esse assunto... Técnicas de composição, luz e sombra, foco, trabalhos de planos, enfim, todo esse conhecimento é muito útil para um melhor entendimento do registro visual dos nossos trabalhos para peças publicitárias, portifólios e afins. Sem falar, claro, que é uma mão na roda para aqueles que, como eu, trabalham com perspectivas eletrônicas ou ilustração arquitetônica em geral.

Trago então pra vocês algumas dicas de fotografias de interiores que encontrei em um site gringo. O título era, literalmente: "como fotografar interiores como um profissional". Achei pretensioso. Prefiro encarar esses tópicos como orientações para obter um melhor resultado fotográfico em termos de iluminação, composição, etc. Lembrando que você pode com certeza aplicar essas teorias em suas renderizações fotorrealistas da mesma forma. Dividi esse post em partes, para não ficar muito cansativo, então primeiramente seguem duas dicas para vocês:

Capture TODOS os ângulos (ou o máximo que você puder).
A dica primordial de fotografia que quase todo fotógrafo profissional de revista de interiores vai te passar provavelmente será esta: use e abuse da capacidade de memória da sua câmera. Isso mesmo: não economize os cliques. A lógica é simples, quanto mais fotos você tirar, maior a probabilidade de ter uma foto fantástica ali no meio.

Em relação a ângulos, cada projeto, com suas características próprias, vai te dizer qual a melhor forma de orientar a câmera. Então na dúvida, o recomendado é que você fotografe de todas as maneiras que você imaginar, para depois avaliar bem os melhores frames com calma no computador. Tire fotos de cada uma das paredes bem de frente, depois diagonalmente por cada um dos dois lados, depois com a câmera ligeiramente inclinada para cima e para baixo. Tente depois se ajoelhar e tirar fotos mais próximo do piso. Simule o observador ao entrar no recinto, ao subir a escada, ao olhar de uma varanda... Será que uma foto ali de cima do mezanino ficaria bacana? E do patamar da escada? 

Ângulos diferentes despertam interesse. Projeto e render de FY Moro Design.


Uma coisa a se prestar atenção é de sempre buscar incluir o piso do ambiente em cada frame (acredite, em alguns ângulos doidos, principalmente em ambientes com pé-direito mais alto, ou então ambientes muito confinados, isso pode acontecer). Pode parecer besteira, mas a foto de um ambiente sem piso tira muito da referência do observador acerca das relações de altura dos objetos ali dispostos.

Confinamento. Se bem que muitas vezes não dá pra evitar.


Varie entre ângulos mais abertos ou fechados... Bote o zoom da sua câmera para trabalhar! Obviamente que fotos mais gerais ajudam a  compreender melhor o ambiente, mas nem todas precisam ser assim (dependendo da finalidade das suas fotos, claro). Uma ou outra focando uma parte específica do projeto, como uma área de assento em um living, ou uma mesa de cabeceira em um quarto, ajudam a "contar a história" daquele lugar.

Detalhes conferem estilo e personalidade.


Como o site original mesmo diz: "keep shooting. You really can never take too many pictures."

O sol é seu amigo.
Na maioria dos casos os arquitetos vão optar por capturar as suas cenas colocando à mostra, sempre que possível, seu belíssimo projeto luminotécnico. E isso é meio que lógico, afinal a luminotécnica faz parte de um bom projeto de interiores, e deve, portanto, ser mostrado. Aqueles halos dos spots nas paredes, aquele pendente caríssimo brilhando... é, tudo muito lindo, eu sei.

O problema é que tem muita gente que se esquece das cenas diurnas. Fotografias utilizando a luz natural também são extremamente importantes para o entendimento do espaço. A luz não é só a melhor amiga do arquiteto, mas também é a do fotógrafo... Principalmente a luz natural.

Um espaço iluminado "cresce". Não se esqueça das diurnas!


A luz do sol é abundante, variável conforme a hora do dia e possui uma temperatura (sim, "temperatura de luz"...talvez depois eu fale mais sobre isso) que valoriza de maneira mais precisa e confiável as cores dos objetos. Mostre para as pessoas que você também pensou na iluminação natural do ambiente e que os usuários não precisarão estar com as dicróicas e as fluorescentes funcionando 24 horas por dia para poder enxergar o quão bonito é o seu projeto!

Alguns cuidados são necessários ao capturar cenas diurnas, principalmente em relação às janelas. Se a luz solar estiver incidindo diretamente no ambiente no horário em que você estiver fotografando, evite fazê-lo de frente para a entrada da luz... coloque as janelas em planos laterais, ou tente deixá-las atrás de você na hora de fotografar. Se for o caso, use as cortinas para regular um pouco a entrada da luz.

Uso inteligente da cortina. Sem ela, provavelmente a luz da janela estaria estourada.


Outra coisa a se pensar é que é bom evitar tirar fotos em dias chuvosos ou nublados, porque isso altera um pouco a temperatura da luz (para pior). As cores tendem a ficar mais embotadas e as fotos saem com menos contraste. O artigo recomenda também que fotos no nascer e no pôr do sol tem potencial para ficarem lindas, mas que são meio traiçoeiras... elas requerem cuidado para acabar não "pintando" o ambiente todo de rosa, lilás ou laranja, ou para que você não acabe sem contraste na foto.

Por fim, se você precisar usar flash de qualquer jeito (evite a todo custo), use um flash articulável apontado para o teto: assim a luz é rebatida e distribuída mais uniformemente. Usar um flash muito forte diretamente nos objetos tem a tendência de deixá-los chapados, além de revelar imperfeições diversas nas superfícies em geral.

Depois eu trago o resto das dicas. Por enquanto é isso! Abraço e até a próxima!

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