Os avanços da tecnologia são uma
coisa engraçada... Antigamente (porém não tanto tempo assim), quando a gente
ainda usava filmes de rolo para fotografar, tínhamos que lidar com o fato de
que a quantidade de fotos à nossa disposição era, no mínimo, limitada. Tínhamos
de ponderar pelo menos um pouquinho sobre luz, ângulo, flash, etc, antes de
cada clique, afinal estragar um frame significava não só perder a oportunidade
de captar uma boa cena, como também perder dinheiro. Quem aí se lembra dos
momentos de expectativa ao abrir o envelope com as fotos reveladas, esperando
que nenhuma delas tivesse "queimado" ou que ninguém tivesse
"saído cortado"?
Pois é... mas hoje em dia temos as
câmeras digitais! Inimaginável nos anos 90, é dispensável listar as inúmeras
vantagens que essa nova tecnologia nos trouxe. Com a extensão da tecnologia
para smartphones e tablets, na era Instagram, todo mundo acabou se tornando um
pouco fotógrafo... (ou pelo menos acha que se tornou, mas aí já é outra
história).
Dito isso, já pararam pra pensar que
mesmo vivendo nessa era de popularização da fotografia, ainda existe a figura
do fotógrafo profissional? Antes ainda vá lá, em ocasiões especiais (casamento,
formatura, o que seja...) a gente chamava o fotógrafo pra captar aqueles momentos
da melhor maneira possível. Aí a gente se sentia mais seguro de que teríamos
fotos legais, nada de filmes queimados ou fora de foco. Mas e hoje em dia,
quando todo mundo tem uma câmera digital que tira um zilhão de fotos, que
calcula automaticamente foco, white balance, flash e o escambau? Isso significa
que não precisamos mais de fotógrafos profissionais, não é? Joga a câmera na
mão daquela sua tia que adora postar paisagens no facebook que tá tudo certo?
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| "Como é que tira o 'fláche' mesmo, heim?" |
Errado, muito errado. E a razão é
simples: contratamos fotógrafos profissionais quando queremos boas fotos.
"Fotos profissionais".
Fotografia é acessível, mas a boa
fotografia não é pra todo mundo. Requer estudo, ferramentas apropriadas e,
principalmente, muita prática. O arquiteto ou estudante de arquitetura que
nunca ficou frustrado ao olhar as fotos escuras que ele tirou dentro daquela igreja
barroca lindíssima (não pode usar flash pra não estragar o delicado
revestimento em folha de ouro do altar!), que atire a primeira pedra. Ou então
atire aquele que nunca passou pela vergonha de verificar no computador que
aquela foto que parecia perfeita no visor da câmera na verdade estava bastante
chapada, que a fachada principal do prédio ficou na sombra, perdeu os detalhes...enfim,
posso fazer uma lista enorme aqui só com exemplos da minha época de faculdade.
Ao vivo é mais bonito, acreditem em mim.
Dito isso, ressalto aqui que fotografia
não é brincadeira. Também trago a idéia de que para o arquiteto ou estudante de
arquitetura, é muito interessante ter uma noção mesmo que básica sobre esse assunto...
Técnicas de composição, luz e sombra, foco, trabalhos de planos, enfim, todo esse
conhecimento é muito útil para um melhor entendimento do registro visual dos
nossos trabalhos para peças publicitárias, portifólios e afins. Sem falar,
claro, que é uma mão na roda para aqueles que, como eu, trabalham com perspectivas
eletrônicas ou ilustração arquitetônica em geral.
Trago então pra vocês algumas dicas
de fotografias de interiores que encontrei em um site gringo. O título era,
literalmente: "como fotografar interiores como um profissional".
Achei pretensioso. Prefiro encarar esses tópicos como orientações para obter um
melhor resultado fotográfico em termos de iluminação, composição, etc.
Lembrando que você pode com certeza aplicar essas teorias em suas renderizações
fotorrealistas da mesma forma. Dividi esse post em partes, para não ficar muito
cansativo, então primeiramente seguem duas dicas para vocês:
Capture TODOS os ângulos (ou o máximo que você puder).
A dica primordial
de fotografia que quase todo fotógrafo profissional de revista de interiores
vai te passar provavelmente será esta: use e abuse da capacidade de memória da
sua câmera. Isso mesmo: não economize os cliques. A lógica é simples, quanto
mais fotos você tirar, maior a probabilidade de ter uma foto fantástica ali no
meio.
Em relação a
ângulos, cada projeto, com suas características próprias, vai te dizer qual a
melhor forma de orientar a câmera. Então na dúvida, o recomendado é que você
fotografe de todas as maneiras que você imaginar, para depois avaliar bem os
melhores frames com calma no computador. Tire fotos de cada uma das paredes bem
de frente, depois diagonalmente por cada um dos dois lados, depois com a câmera
ligeiramente inclinada para cima e para baixo. Tente depois se ajoelhar e tirar
fotos mais próximo do piso. Simule o observador ao entrar no recinto, ao subir
a escada, ao olhar de uma varanda... Será que uma foto ali de cima do mezanino
ficaria bacana? E do patamar da escada?
Ângulos diferentes despertam
interesse. Projeto e render de FY Moro Design.
Uma coisa a se
prestar atenção é de sempre buscar incluir o piso do ambiente em cada frame
(acredite, em alguns ângulos doidos, principalmente em ambientes com pé-direito
mais alto, ou então ambientes muito confinados, isso pode acontecer). Pode
parecer besteira, mas a foto de um ambiente sem piso tira muito da referência
do observador acerca das relações de altura dos objetos ali dispostos.
Confinamento. Se bem que muitas vezes
não dá pra evitar.
Varie entre ângulos
mais abertos ou fechados... Bote o zoom da sua câmera para trabalhar!
Obviamente que fotos mais gerais ajudam a
compreender melhor o ambiente, mas nem todas precisam ser assim
(dependendo da finalidade das suas fotos, claro). Uma ou outra focando uma parte
específica do projeto, como uma área de assento em um living, ou uma mesa de
cabeceira em um quarto, ajudam a "contar a história" daquele lugar.
Detalhes conferem estilo e
personalidade.
Como o site
original mesmo diz: "keep shooting. You really can never take too many pictures."
O sol é seu
amigo.
Na maioria dos
casos os arquitetos vão optar por capturar as suas cenas colocando à mostra,
sempre que possível, seu belíssimo projeto luminotécnico. E isso é meio que
lógico, afinal a luminotécnica faz parte de um bom projeto de interiores, e
deve, portanto, ser mostrado. Aqueles halos dos spots nas paredes, aquele
pendente caríssimo brilhando... é, tudo muito lindo, eu sei.
O problema é que
tem muita gente que se esquece das cenas diurnas. Fotografias utilizando a luz
natural também são extremamente importantes para o entendimento do espaço. A
luz não é só a melhor amiga do arquiteto, mas também é a do fotógrafo...
Principalmente a luz natural.
Um espaço iluminado "cresce".
Não se esqueça das diurnas!
A luz do sol é
abundante, variável conforme a hora do dia e possui uma temperatura (sim,
"temperatura de luz"...talvez depois eu fale mais sobre isso) que
valoriza de maneira mais precisa e confiável as cores dos objetos. Mostre para
as pessoas que você também pensou na iluminação natural do ambiente e que os
usuários não precisarão estar com as dicróicas e as fluorescentes funcionando
24 horas por dia para poder enxergar o quão bonito é o seu projeto!
Alguns cuidados são
necessários ao capturar cenas diurnas, principalmente em relação às janelas. Se
a luz solar estiver incidindo diretamente no ambiente no horário em que você
estiver fotografando, evite fazê-lo de frente para a entrada da luz... coloque
as janelas em planos laterais, ou tente deixá-las atrás de você na hora de
fotografar. Se for o caso, use as cortinas para regular um pouco a entrada da
luz.
Uso inteligente da cortina. Sem ela,
provavelmente a luz da janela estaria estourada.
Outra coisa a se
pensar é que é bom evitar tirar fotos em dias chuvosos ou nublados, porque isso
altera um pouco a temperatura da luz (para pior). As cores tendem a ficar mais
embotadas e as fotos saem com menos contraste. O artigo recomenda também que
fotos no nascer e no pôr do sol tem potencial para ficarem lindas, mas que são
meio traiçoeiras... elas requerem cuidado para acabar não "pintando"
o ambiente todo de rosa, lilás ou laranja, ou para que você não acabe sem
contraste na foto.
Por fim, se você
precisar usar flash de qualquer jeito (evite a todo custo), use um flash
articulável apontado para o teto: assim a luz é rebatida e distribuída mais
uniformemente. Usar um flash muito forte diretamente nos objetos tem a
tendência de deixá-los chapados, além de revelar imperfeições diversas nas
superfícies em geral.
Depois eu trago o
resto das dicas. Por enquanto é isso! Abraço e até a próxima!




Ótimas dicas, adorei as fotos!
ResponderExcluirMuito bom!Gostei.
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